Em campo
A escuta no mundo
Viajar, pra mim, é um modo de entender as humanidades. De chegar mais perto do invisível. Da entidade coração.
Minha escuta amadureceu aí. Na vibração de um templo vazio. Na respiração de um cachorro dormindo na rua. No olhar de uma mulher que entende tudo — mesmo sem falar a mesma língua.
Estive em monastérios no Nepal. Em feiras no Vietnã. Em rituais na Colômbia. Em reservas ecológicas da América Latina, vielas da Índia, desertos do Oriente e calçadas da Europa. Mas não fui buscar respostas. Fui aprender a sentir o mundo como ele é. Sem filtro. Sem pressa. Sem a rigidez de quem quer consertar.
O que me move é esse lugar entre o som e o corpo. Entre o gesto e a emoção. Onde tudo pulsa — sem pedir licença.
Escutar o mundo me ensinou a reconhecer a natureza relaxada de quem somos. E a entender que o corpo sabe: que, no fundo, nós já somos quem gostaríamos de ser.
Essa aceitação — de que a vida pulsa como pode, e que nós também — é a escuta mais profunda que conheço. E talvez, a mais verdadeira.